Temporada brasileira de cruzeiros 2025/2026 movimenta R$ 4,76 bilhões

A temporada brasileira de cruzeiros 2025/2026 movimentou R$ 4,76 bilhões na economia, gerou pouco mais de 72 mil postos de trabalho e resultou em R$ 217,45 milhões em tributos, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), em parceria com a CLIA Brasil.

O resultado, no entanto, representa uma queda de 21% no impacto econômico em relação à temporada anterior. A retração ocorreu principalmente pela redução da oferta de navios que operaram no país.

O estudo foi apresentado durante o 8º Fórum CLIA Brasil 2026, em Brasília, e considera dois tipos de operação: cruzeiros de cabotagem e navios de passagem.

A cabotagem é o modelo em que o navio inicia e termina sua viagem no Brasil, realizando embarques e desembarques de passageiros nos portos brasileiros e navegando pela costa do país.

Já os chamados navios de passagem têm seus roteiros principais em outros países e apenas fazem escalas no Brasil durante a viagem, permitindo que passageiros e tripulantes desembarquem para conhecer os destinos.

CABOTAGEM CONCENTRA MAIOR PARTE DO IMPACTO

Na temporada 2025/2026, a operação de cabotagem contou com sete navios, dois a menos que no ciclo anterior, e recebeu 602.864 cruzeiristas.

Foram 235.232 passageiros a menos do que em 2024/2025, uma redução de 28%.

O impacto econômico da cabotagem chegou a R$ 4,28 bilhões, dos quais R$ 2,28 bilhões vieram das despesas das companhias marítimas relacionadas à operação no país e R$ 2 bilhões dos gastos de passageiros e tripulantes durante a viagem.

A atividade sustentou 64.529 postos de trabalho e gerou R$ 166,3 milhões em tributos. Segundo o levantamento, cada R$ 1 investido pelas companhias marítimas para viabilizar a temporada movimentou R$ 3,89 na economia brasileira.

O impacto também se distribuiu por diferentes segmentos da cadeia turística. Nos destinos de escala, cada cruzeirista gerou, em média, R$ 800,98 em impacto econômico direto, indireto e induzido. Nos destinos de embarque e desembarque, o valor chegou a R$ 962,55 por passageiro.

Entre os principais beneficiados pelos gastos de passageiros e tripulantes estiveram os setores de alimentação e bebidas, que movimentaram R$ 627,1 milhões, e o comércio varejista, com R$ 605,5 milhões. Juntos, os dois segmentos receberam R$ 1,23 bilhão.

Também foram movimentados R$ 294,6 milhões em transportes antes ou depois da viagem, R$ 248,1 milhões em passeios turísticos, R$ 127,6 milhões em transportes durante a viagem e R$ 92,1 milhões em hospedagem.

O tíquete médio da viagem foi de R$ 6.108,50 por passageiro, com duração média de 4,2 dias. O estudo não considera, no cálculo do impacto econômico, o valor pago pela viagem nem os gastos realizados a bordo. São contabilizadas as despesas das companhias no Brasil e o consumo de passageiros e tripulantes fora dos navios.

NAVIOS DE PASSAGEM MOVIMENTAM MAIS R$ 480 MILHÕES

Além da cabotagem, 21 navios de passagem passaram pela costa brasileira na temporada, oito a menos que no ciclo anterior.

As embarcações pertenciam a 18 companhias e fizeram escalas em 35 destinos.

Ao longo da temporada, foram contabilizadas 293.596 visitas de passageiros e 139.108 de tripulantes. Essa operação acrescentou R$ 480,94 milhões à economia brasileira, aproximadamente 18% menos que em 2024/2025.

Os navios de passagem também foram responsáveis por cerca de 7,5 mil postos de trabalho e R$ 51,15 milhões em tributos.

PRÓXIMA TEMPORADA TERÁ MAIS NAVIOS

Após a retração de 2025/2026, a oferta deve voltar a crescer na próxima temporada. Entre 31 de outubro de 2026 e 9 de abril de 2027, oito navios estão previstos para operar na costa brasileira.

A capacidade deverá chegar a 817.562 leitos, cerca de 24% acima do ciclo anterior. Também estão previstos 187 roteiros, contra 160 em 2025/2026, e 675 escalas, ante 617.

Os embarques e desembarques ocorrerão em Santos, Rio de Janeiro, Salvador, Maceió, Itajaí, Balneário Camboriú e Paranaguá.

Os roteiros também incluem destinos como Angra dos Reis, Búzios, Ilha Grande, Ilhabela e Recife, além de cidades internacionais como Buenos Aires, Montevidéu e Punta del Este.

Apesar da recuperação da oferta, o setor ainda enfrenta desafios relacionados a custos operacionais, infraestrutura portuária, tributação, regulação e segurança jurídica. Esses fatores influenciam a decisão das companhias sobre onde posicionar suas frotas.

“A próxima temporada traz uma recomposição importante, mas precisamos trabalhar para que ela se transforme em tendência”, conclui Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil.

spot_img

Latest articles

Related articles

spot_img