Apesar de um trimestre considerado “fenomenal” pelo CEO Josh Weinstein, as ações da Carnival recuaram cerca de 5% no meio do pregão desta segunda-feira (29), mesmo com reservas para 2026 em patamares fortes e alinhadas ao recorde de 2025.
Lucro e receita em níveis históricos
A Carnival Corp. & plc alcançou o maior lucro trimestral de sua história, impulsionada pela forte demanda de última hora e pelo controle de custos.
O lucro líquido ajustado foi de US$ 2 bilhões (US$ 1,43 por ação), superando em US$ 0,11 as estimativas de Wall Street e ficando US$ 182 milhões acima da projeção divulgada em junho.
Pelo padrão contábil dos EUA (US GAAP), o lucro líquido foi de US$ 1,9 bilhão (US$ 1,33 por ação), um aumento de US$ 116 milhões em relação a 2024 e acima do recorde anterior, registrado em 2019.
A receita também foi histórica: US$ 8,2 bilhões, o 10º trimestre consecutivo de recordes.
Desempenho operacional
- Receita líquida por cabine disponível: crescimento de 4,6% em moeda constante, 1,1 ponto acima do previsto em junho.
- Custos de cruzeiro ajustados (excluindo combustível): alta de 5,5% em moeda constante, desempenho 1,5 ponto melhor que a última previsão.
- Depósitos de clientes: recorde de US$ 7,1 bilhões, superando a marca de agosto de 2024.
Mesmo assim, as ações da companhia caíam 4,9% no início da tarde, cotadas a US$ 29,21, após uma alta de mais de 5% antes da abertura do mercado.
Para a revista Barron’s, a reação foi “severa demais”, já que a Carnival também aumentou sua previsão de lucro anual para US$ 2,14 por ação (contra US$ 1,97 antes, e acima da média de US$ 2,02 estimada por analistas).
Reservas de 2026 e 2027 em alta
Segundo Weinstein, quase metade da capacidade de 2026 já está reservada, em linha com o recorde de 2025, mas agora em preços historicamente altos (em moeda constante) para os mercados da América do Norte e da Europa.
“Desde maio, o volume de reservas tem superado o do ano passado e muito acima do crescimento de capacidade. Já construímos uma base sólida para o próximo ano”, disse o executivo.
Ele também destacou que 2027 já começa com força, registrando volumes recordes de reservas no terceiro trimestre.
Outro marco foi o retorno ajustado sobre o capital investido, que atingiu 13% pela primeira vez em quase 20 anos, reflexo da melhora operacional em todas as marcas do grupo, especialmente a Carnival Cruise Line e a AIDA.
Dívida e crédito
O CFO David Berstein informou que a companhia:
- Refinanciou US$ 4,5 bilhões em dívidas no trimestre.
- Refinanciou mais de US$ 11 bilhões desde o início de 2025.
- Antecipou o pagamento de US$ 1 bilhão adicional.
Com isso, a Moody’s elevou a nota de crédito da empresa e manteve perspectiva positiva.
O trimestre terminou com US$ 26,5 bilhões em dívida total.



