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Mercado de cruzeiros fluviais europeus mantém expansão e atinge €3,7 bilhões

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O mercado europeu de cruzeiros fluviais segue em trajetória de expansão consistente, impulsionado por novos navios, investimentos em sustentabilidade e pela forte demanda de viajantes internacionais dispostos a pagar mais por experiências mais longas e sofisticadas.

De acordo com um estudo recente conduzido pela IG River Cruise em parceria com o instituto Centouris, da Universidade de Passau, o número de passageiros cresceu 8% em 2024, alcançando 1,49 milhão de viajantes. A receita total do setor também avançou, com alta de 5%, chegando a €3,7 bilhões.

Apesar do ritmo positivo, o estudo aponta que o mercado entra agora em uma fase de crescimento mais estruturado, após o efeito de recuperação acelerada observado no pós-pandemia.

Ainda assim, a atividade segue em expansão: foram registrados 10,72 milhões de pernoites nos rios europeus, um aumento de 5% em relação ao ano anterior.

A oferta acompanha esse movimento. Em 2025, 386 embarcações operaram na Europa — 18 a mais que no ano anterior — com idade média de 16 anos.

Para este ano, estão previstos 16 novos navios, enquanto outros 19 devem entrar em operação até 2027.

No horizonte de longo prazo, cerca de 60 embarcações adicionais devem ser entregues até o início da próxima década, com forte concentração no eixo Reno–Meno–Danúbio.

Enquanto o rio Douro dá sinais de saturação, com poucos novos projetos previstos, a França desponta como uma das principais fronteiras de crescimento para o setor, ainda pouco explorada em comparação a outros destinos fluviais europeus.

No campo da sustentabilidade, os avanços são relevantes, mas desiguais. Segundo o levantamento, 78% das embarcações já operam com biocombustíveis e 58% com combustíveis sintéticos.

Por outro lado, o uso exclusivo de energia elétrica ainda é incipiente, presente em apenas 1% da frota. Em contrapartida, quase todos os navios já contam com conexão à energia em terra (98%) e sistemas avançados de tratamento de resíduos (97%).

A análise por mercados emissores revela uma dinâmica interessante. Alemanha, Áustria e Suíça lideram em volume de passageiros, com 587 mil viajantes, seguidos por Estados Unidos e Canadá, com 545 mil.

No entanto, quando o critério é receita, os mercados norte-americanos assumem a liderança, gerando €2,02 bilhões — quase três vezes mais que os países de língua alemã.

Austrália e Nova Zelândia também se destacam: mesmo com apenas 91 mil passageiros, respondem por €346 milhões em receita, evidenciando um ticket médio significativamente mais alto.

Essa diferença se explica principalmente pelo comportamento do viajante internacional. Em 2025, turistas de fora da Europa gastaram, em média, €3.671 por viagem, enquanto os europeus desembolsaram €1.554.

Parte desse gap está ligada à duração das viagens — oito noites para estrangeiros contra 6,5 dias para europeus — e à maior presença de produtos de luxo e ultra luxo nos mercados de longa distância.

Além disso, o perfil etário também varia. Fora da Europa, o público é majoritariamente composto por viajantes acima dos 60 anos. Já no mercado europeu, embora esse grupo ainda predomine, há uma leve diversificação etária.

As perspectivas para 2026 permanecem otimistas. Entre as operadoras consultadas, 75% esperam crescimento no número de passageiros, enquanto cerca de 83% projetam aumento de receita.

A expansão deve continuar sendo puxada pelos mercados internacionais, embora a Europa também mantenha trajetória positiva — ainda que com crescimento mais seletivo.

O estudo indica, por fim, uma tendência de concentração no setor, com grandes operadoras ampliando participação enquanto players menores adotam estratégias mais cautelosas.

Mesmo assim, o cenário geral reforça a consolidação dos cruzeiros fluviais europeus como um segmento dinâmico e em evolução contínua dentro da indústria global de turismo.

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