A Norwegian Cruise Line Holdings (NCLH) fechou o quarto trimestre com lucro ajustado levemente acima das expectativas do mercado, mas iniciou 2026 em um cenário desafiador, impactado por um forte aumento da oferta de cruzeiros no Caribe.
A empresa informou que o lucro ajustado por ação no quarto trimestre superou em um centavo a estimativa média dos analistas. Ainda assim, a NCLH projeta lucro ajustado de US$ 2,38 por ação em 2026, abaixo da expectativa do mercado, de US$ 2,60.
Segundo a companhia, o primeiro trimestre de 2026 reflete um ambiente “pressionado” pela necessidade de absorver um aumento relevante de capacidade no Caribe.
O novo CEO, John Chidsey, afirmou que a estratégia da empresa é sólida, mas reconheceu falhas na execução e no alinhamento entre áreas.
“Nossa prioridade é agir com urgência para corrigir essas lacunas, reforçando a coordenação, a responsabilidade e a disciplina financeira”, disse o executivo, que assumiu o cargo recentemente.
RESULTADOS DO QUARTO TRIMESTRE
No quarto trimestre, o lucro líquido GAAP foi de US$ 14,3 milhões, ou US$ 0,03 por ação, bem abaixo dos US$ 245,5 milhões registrados um ano antes.
Já o lucro líquido ajustado somou US$ 130,4 milhões, ou US$ 0,28 por ação, superando em um centavo a projeção do mercado.
A receita atingiu US$ 2,2 bilhões, alta de 6% em relação ao ano anterior, impulsionada pelo aumento da capacidade, mas ainda abaixo da expectativa dos analistas. O yield líquido cresceu cerca de 4%, em linha com o guidance da companhia.
DESEMPENHO EM 2025
No acumulado de 2025, a NCLH registrou lucro líquido GAAP de US$ 423,2 milhões, ante US$ 910,3 milhões em 2024. O lucro ajustado por ação cresceu 19%, para US$ 2,11. A receita anual chegou a US$ 9,82 bilhões, avanço de 3,7%.
PERSPECTIVAS PARA 2026
Para 2026, a companhia prevê crescimento praticamente estável do yield líquido, enquanto trabalha para aprimorar a execução de sua estratégia comercial.
Os custos unitários ajustados, excluindo combustível, devem crescer apenas 0,9%, marcando o terceiro ano consecutivo de desempenho abaixo da inflação.
O lucro líquido ajustado esperado para o ano é de cerca de US$ 1,12 bilhão, reforçando a cautela do mercado em relação ao ritmo de recuperação da rentabilidade.
PRESSÃO NO PRIMEIRO TRIMESTRE
No primeiro trimestre de 2026, o yield líquido deve recuar 1,6%, principalmente devido ao aumento de 40% na capacidade no Caribe em relação ao ano anterior e a ajustes operacionais ligados à marca Norwegian e à abertura gradual de atrações na Great Stirrup Cay.
Apesar disso, o lucro ajustado por ação no período é estimado em US$ 0,16, ligeiramente acima do consenso.
A maior exposição ao Caribe elevou a taxa de ocupação, que chegou a 101,8% no quarto trimestre, acima do nível de 2024. Para 2026, a expectativa é alcançar 105,7%.
O ambiente de reservas segue positivo, especialmente nas marcas de luxo. A Oceania Cruises registrou recorde de vendas após a abertura das reservas do navio Oceania Sonata, enquanto a Regent Seven Seas Cruises teve o melhor mês de reservas de sua história em janeiro.
ENDIVIDAMENTO
Ao final de 2025, a NCLH reportou dívida total de US$ 14,6 bilhões, liquidez de US$ 1,6 bilhão e alavancagem líquida de 5,3 vezes.
A expectativa é encerrar 2026 com alavancagem próxima de 5,2 vezes, sinalizando um processo gradual de desalavancagem.
